23 dezembro 2017

Resenha #129 - É proibido Sorrir

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Livro recebido para resenha em parceria com a autora. Todas as opiniões aqui presentes são minhas, sem interferência, na tentativa de passar a vocês o que senti ao longo da leitura.
Baingani vive há século num sistema, a Política Vermelha manda e ponto final. Mas embaixo da sua cidade, embaixo da Praça Vermelha que já viu tanto sangue, embaixo das pessoas que já ouviram tantos gritos de tortura, se encontram os túneis. Túneis tão secretos quanto seus donos e a origem das Políticas. E são nesses túneis que se encontram as respostas. É em cada símbolo azul, que se encontra a resistência que lutará pela liberdade.Em um mundo onde homens lideram, o que você fará? O que fará quando está confinado à uma Política Vermelha, onde o mais simples ato de sorrir é completamente proibido?

Vamos falar de distopia? De distopia boa, brasileira e escrita por mulher? Vamos porque é disso que a gente gosta.
É proibido sorrir nos apresenta uma sociedade onde houve uma batalha entre homens e mulheres. É isso mesmo, produção. E nessa batalha as mulheres perderam. Sua líder foi assassinada brutalmente em frente a todos no local que ficou conhecido como A praça vermelha. E desde então mulheres se tornaram meros objetos. Elas são vendidas em leilões quando alcançam 18 anos. Não necessariamente o homem que a compra vai se casar com ela. Na verdade, raramente isso vai acontecer. Mas ele passa a ser dono dela e a partir desse ponto, pode fazer com ela o que desejar, inclusive torturá-la.
"Meu filho está se tornando o homem que essa sociedade precisa." Pág. 127
Se uma mulher sorri em lugar público e é vista pelos guardas, eles costuram sua boca. Ali mesmo onde aconteceu o sorriso. Porque o sorriso feminino é considerado maligno. É pro conta dele que homens se apaixonam e perdem o juízo.
"E então, enquanto ele sentia a textura dos lábios de Leya com o dedão e analisava os olhos cinza-azulados dela, ele percebeu por que era proibido sorrir: pois no momento que elas sorrissem para eles, os homens cairiam facilmente a seus pés." Pág. 118
Mas nessa sociedade horrenda nem todos os homens são a favor disso. Alguns ajudam mulheres que foram costuradas, compram uma mulher no leilão para dar a ela uma vida mais digna. E lutam por um mundo onde exista a igualdade.
E tudo isso pode parecer imensamente absurdo, mas pense bem... Qual é a diferença entre essa sociedade e o que muitas mulheres vivem hoje em dia? Muitas mulheres não tem voz. Não tem nem mesmo controle sobre seu próprio corpo. Em nosso país isso é menos comum (digo, a privação de voz e de opinião, porque aqui a coisa também é complicada pra quem é mulher), mas em países do Oriente Médio, a mulher é nada mais nada menos que um objeto. Ah! Lembrei de uma coisa do livro que é importante falar. Nessa compra das mulheres, uma mulher é vendida por menos que uma cabra. Porque a cabra te fornece leite. A mulher não te dá nada.
"As mesmas mulheres, que deram a vida por eles, eram tratadas como ninguém." Pág. 18
Logo no inicio do livro conhecemos Leya, Brandon e Joanne. Os três são crianças quando começam a narrar suas vidas nessa sociedade. Mas eles crescem e vemos como tudo fica quando eles estão na fase adulta. Bom, como já devem imaginar, não é nada fácil para as garotas. E Brandon, contrariando toda sua criação dada por um pai extremamente maligno e que realmente acredita ser superior a toda e qualquer mulher, Brandon é um bom rapaz. Ele conheceu Joanne porque seu pai comprou a mãe dela quando eles eram crianças, mas os expulsou alguns anos depois. Depois disso, Brandon quer somente encontrar Joanne.
"O mundo não está ameaçado pelas pessoas más, mas por aquelas que permitem a maldade." Pág. 108
Mas ele não a encontra e acaba por comprar Leya em seu leilão. Leya fica apavorada quando chega na casa onde passa a morar, mas Brandon a acalma e mostra que ele não é como a maioria dos homens. A partir dai, eles criam uma amizade muito bonita. Que evolui para algo mais. E é lindo ver como nada em momento algum é forçado. E Leya mantem contato com sua família, que dá uma casa a eles quando resolvem se casar e mostram como a casa é ligada, por túneis, com outras casas. Eles são a resistência.
"O quão irônico era o fato de o filho do chefe dos Vis, defensores da Política Vermelha, se tornar um dos chefes dos Murex, da Política Azul?" Pág. 133
E Brandon reencontra Joanne. E ela continua ajudando mulheres que sofrem na mão dos soldados. E ela também é da resistência. E encontra um pai tentando salvar sua filha, dar um futuro melhor para ela. Um futuro melhor do que a sua esposa teve. E Victor e Joanne se apaixonam.
Acho que isso é tudo que posso falar sobre a história. Não é uma leitura que recomendo para todos porque tem cenas de tortura bem pesadas. Só de lembrar, me dá calafrio. Eu recomendo pra quem diz que feminismo é mimimi e que a gente não precisa disso. Recomendo pra quem acha que a mulher é tratada totalmente da mesma forma que o homem. Recomendo pra quem adora distopias e, como eu, acredita que lendo sobre sociedades distópicas, podemos de alguma forma evitar que elas se tornem reais.
A edição desse livro está bem boa. Folhas amareladas, fontes boas e espaçamentos bons. Adoro essa capa. Acredito que ela dá o tom macabro que esse livro exige. A escrita da autora é tão emocionante e envolvente que não tem como parar. Eu li ele em poucas horas.

Ficha Técnica...

Título: É proibido sorrir
Autora: Esther Lya Livonius
Editora Chiado
212 páginas
Ano 2016
Nota: 5 
Nota no Skoob: 4.6

Quote escolhida para o projeto Poteando Quotes







Concluindo: Uma distopia maravilhosa e muito bem escrita. Um livro que merecia virar um filme ou uma série e que vou reler.

12 comentários:

  1. Oi Lary
    Parece ser uma história bem interessante e necessária, apesar de eu ter ficado preocupada com as cenas de tortura, rs. Mas fiquei curiosa, e adoro distopias
    Parabéns para a autora *-* Feliz natal :3
    Bjs
    http://acolecionadoradehistorias.blogspot.com

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    1. Oi Carol
      Ele tem cenas bem intensas, mas acho que as vezes é preciso lermos coisas assim. Acredito que quando estudamos sobre essas essas coisas, podemos, de alguma forma, impedir que seja realidade.
      Beijos

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  2. Oi Lary, tudo bem??

    Menina do céu, como amante de distopias, fiquei imensamente curiosa por essa, adoro resistências, e fiquei completamente apaixonada pelo enredo, vou procurar este livro pra já, porque o título não me levar crer que seja um distopia, mas lendo sua resenha não tenho a menor duvida. Um xero!

    https://minhasescriturasdih.blogspot.com.br/

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    1. Oi Diana
      O título também não me remetia a distopia. Mas ai fui atingida. Eu amo distopias e essa foi uma das melhores que já li.

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  3. Nossa que texto maravilhoso Lary muito gostoso de ler eu amei ler Bjo Flor?

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  4. Oi Lary, tudo bem?

    Não sou fã de distopia, mas história boa e brasileira a gente até se anima, ainda mais depois dessa resenha!! Torcendo para um dia virar filme tb!

    Bjs, Mi

    O que tem na nossa estante

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    1. Oi Mi
      Eu já sou a louca da distopia. Falou que é distopia, to lendo, to assistindo.
      Beijos

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  5. Oi, Lary!
    Li esse livro há algum tempinho atrás, também gosto de "A marcha dos javalis", da Esther também. Mas sobre "É proibido sorrir", minha nossa, eu adorei também. Achei um livro muito bem elaborado e lembro de ter lido muito rápido também, não em poucas horas, mas acho que em uns dois dias.
    Um super beijo!
    Thami, Blog Historiar.

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    1. Oi Thami
      A escrita da autora já me ganhou. Tudo que ela escrever, vou querer ler.
      Um beijo

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  6. Oie Lary =)

    Já vi a capa desse livro em alguns blogs, mas a sua é a primeira resenha que leio dele. Confesso que tinha uma visão totalmente diferente da história.

    Se tiver uma oportunidade vou dar uma chance sim.

    Beijos e Feliz Ano Novo ;***
    Ane Reis | Blog My Dear Library  

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    1. Oi Ari
      a capa dele não diz muito sobre a história. é uma distopia maravilhosa. indico muito.
      Beijos

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