13 maio 2017

Entrevistando o autor - Nick Farewell

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Entrevista com Nick Farewell
Sábado geralmente é dia de apresentar novos parceiros e eu até ia fazer isso, mas o Nick teve a gentileza de responder  minhas perguntas a respeito do meu amado GO e então repassarei essa entrevista a vocês. Espero que aproveitem e, claro, fiquem com vontade de ler GO.


Perguntas para Nick Farewell

VePeB- Em nenhum momento do livro sabemos o nome do protagonista. Porque essa escolha?

Nick- O personagem principal, em relação ao nome que nunca diz, eu me baseei em um amigo que também nunca dizia o nome dele. Apenas apelido. Enquanto escrevia, eu pensava que iria revelar o nome em algum momento. Mas a “identidade” do nome acabou ficando secundário. Porque a verdadeira identidade era o estado filosófico do personagem. Ao longo da escrita também descobri a universalidade de Mr. Fahrenheit. Somos todos Mr. Fahrenheit. Logo, a revelação do nome deixou de ser importante. Nós sabemos tudo dele, porque somos ele. Não importa o nome dele. Ele tem os nossos nomes. 

VePeB- A história do livro é bastante realística. Quanto de verdade existe nas páginas?

Nick- Muitas são verdades e muitas são invenções. O interessante em todos os meus livros é que eu sempre misturo ficção e verdade. O mais interessante é que algumas coisas que o leitor poderia jurar que são verdades são invenções e o que acha que são ficções é verdade. São histórias que vivi, ouvi e julgo ser pertinente para contar uma história. Mas o enredo é basicamente ficção. Por causa desse realismo muitos leitores também acreditam que GO é autobiográfico. Um erro crasso. Mr. Fahrenheit é uma grande ficção. Mas real, porque a mentira dele é verdade de todos nós.

VePeB- Temos trechos lindos em GoO tanto engraçados quanto dramáticos. Quais são mais fáceis de escrever?

Nick- Eu gosto dessa transição. Em uma página você está rindo e na outra, você está chorando. Eu gosto de fato muito de humor. Talvez eu não seja tão engraçado como quando escrevo, mas faço questão de escrever coisas engraçadas. Acredito que o humor deixa a parte dramática ainda mais dramática. Mas não é um humor que você dá gargalhadas. É um humor sarcástico, irônico como a própria da vida que nos deixa sempre no sentido ambíguo do entendimento. Eu não diria que é fácil ou difícil. Eu busco a pertinência. E opto por humor ou dramaticidade. Engraçado ou emocionante. Tem que fazer sentido para o livro. É tudo em favor da história. E eu opto por o que é melhor. E espero conseguir sempre.

VePeB- Temos muitas referências de músicas, livros e filmes. A seu ver, qual a importância dessas indicações em livros? Você costuma ouvir, assistir, ler essas indicações?

Nick- O gosto de Mr. Fahrenheit é meu. São meus livros, filmes e músicas favoritas. Eu fiz questão de colocar essas referencias, porque queria que meus leitores lessem, assistissem e ouvissem. Costumo dizer que são mais importantes do que o meu próprio livro. É para os leitores buscarem essas referências. São de fato importantes, vitais para a vida. 

VePeB- Nosso protagonista é bastante boêmio e mulherengo. Essas características foram escolhidas por ele ser escritor? Por ser DJ? Por qual motivo?

Nick- Não diria que é mulherengo. Ele dá sorte no momento em que se passa a história (rs). Sempre lembro de Kurt Vonnegut que dizia que os escritores, sejam eles famosos ou desconhecidos, sempre andavam com mulheres bonitas. E que ele também não entendia isso. Nem eu entendo, acho (rs). Creio que a bebida está associada à melancolia, amargura, dor, sofrimento. Confesso que eu comecei a discotecar na metade do livro para saber o que de fato o personagem passava. Eu diria que não fiz mais sucesso com as mulheres por ser DJ, não (rs). Creio que bebidas e mulheres são porque ele busca preencher o seu vazio existencial através disso. É a dor e falta de amor que o impulsiona nessa procura. Mas a minha busca é bastante filosófica e pragmática ao mesmo tempo. Eu procuro a vida. 

Perguntas rápidas


Um lugar
Eu interior.

Um filme
Cinema Paraíso

Um livro
“As cabeças trocadas” de Thomas Mann

Um artista
James Joyce. É um gênio absoluto.

Uma comida
Da minha mãe. Minha mãe é uma exímia cozinheira.

Uma música
Bizarre love triangle – New Order

Uma época
Agora.

Uma bebida
Johnny Walker Black Label
Livro GO

Gostaram de conhecer melhor o autor e sua obra? Eu amo GO e já declarei meu amor por essa obra aqui no blog diversas vezes. Citei o autor Nick aqui, em uma lista com dez autores que li apenas um livro, mas queria ler mais. E aqui tem  também a resenha de GO, o livro abordado nessa entrevista incrível.
Eu nunca imaginei, quando li GO pela primeira vez, lá em 2010, que um dia eu teria uma entrevista única com o autor. Agradeço a todos vocês que vem aqui ler o que tenho a dizer, porque essas coisas não aconteceriam sem vocês. Obrigada. Um beijo grande a cada  um e até a próxima.

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