30 junho 2017

Mini enciclopédia de gêneros

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Olá Amoras. Faz muito tempo que não começo uma postagem assim, mas nessa achei necessário. Bom, o post de hoje não é de autoria minha. Vi ele no blog Fernando Vrech e achei muito interessante. Tem outro motivo para eu querer divulgar esse post com vocês. Eu quero falar sobre um gênero específico com  vocês todo mês, falando sobre o gênero, o que aborda, principais autores e dar dicas de livros e filmes do gênero. Acredito que essa série de posts vai ser bem legal. Acho que vou fazer um por mês, na última sexta feira de cada mês. Se gostaram da ideia, me avisa nos comentários que ai eu me empolgo.
Sem mais delongas, vamos ao texto do blog do Fernando.


Qualquer texto pode ser classificado pela sua Sintaxe, a técnica de escrita; pela sua Temática, o cenário da história; pela sua Lírica, a emoção que a história pretende passar; pela sua Linguagem, a forma que o autor escolheu passar a mensagem, etc
   Se você achava que existiam apenas uma meia dúzia de gêneros literários essa pequena enciclopédia irá te mostrar que você só arranhou a superfície.
   Sinta-se a vontade para expandir essa pequena enciclopédia com gêneros que eu não citei! O Artigo será expandido no próprio artigo até ficar terminado.
   Vimos no artigo anterior que os gêneros são ingredientes na história. Então escolha os ingredientes mais deliciosos, misture tudo, leve ao forno que há dentro da sua cabeça e aqueça a 300 graus pela eletricidade das tuas ligações sinápticas!

Acróstico. É um texto, normalmente poema, onde há uma frase formada com letras específicas em cada frase. Exemplo:

Vencido está de amor meu pensamento, 
O mais que pode ser vencida a vida, 
Sujeita a vos servir e instituída, 
Oferecendo tudo a vosso intento.

Contente deste bem, louva o momento 

Ou hora em que se viu tão bem perdida; 
Mil vezes desejando a tal ferida,
Outra vez renovar seu perdimento.

Com esta pretensão está segura
A causa que me guia nesta empresa.
Tão sobrenatural, honrosa e alta,
Jurando não seguir outra ventura,
Votando só para vós rara firmeza,
Ou ser no vosso amor achado em falta.


- Luís de Camôes - Soneto CLIX - É possível extrair a frase: VOSSO COMO CATIVO, mui alta senhora, que em português arcaico lemos: "Vosso como cativo, mui alta senhora."

Anedota. É uma narrativa curta, geralmente destinada a provocar risos, estando assim relacionado ao gênero comédia. É a popular "piada".

Apocalíptico. É subgênero da ficção científica. Classificado pela sua temática, o gênero apocalipse conta a história da destruição parcial ou total da terra. Os motivos da destruição podem variar: Julgamento divino, guerra mundial, desastre natural ou cósmico.

Apocalipse Zumbi. Um subgênero do apocalipse que dispensa explicações. Atualmente, The Walking Dead é a autoridade nesse gênero.

Apocalíptico, Pós O Pós-Apocalipse conta a história do que aconteceu após um apocalipse. Como a humanidade sobrevivente luta pela vida. Um pós-apocalipse também pode contar a história de um pequeno grupo de sobreviventes isolados, ou mesmo uma única pessoa procurando desesperadamente outro sobrevivente temendo ser o único sobrevivente do planeta!

Artigo. Um subgênero da não-ficção. É quando se explana sobre um tema, com a intenção de informar. Caracterizado também como uma leitura rápida, escrita para ser lida de uma só vez. É a classificação da maioria dos textos desse humilde site que você está lendo.

Auto-Biografia. É quando o autor resolve escrever sua própria história verdadeira.

Auto-Ficção. É quando o autor resolve inventar um história sobre sua própria vida. Por exemplo, resolve inventar que foi abduzido por alienígenas. Teríamos aí uma bela auto-ficção-científica! Mas se o autor realmente acredita na abdução, não se aplicaria, no caso, a auto-ficção, como veremos mais adiante.

Biografia. Quando o autor conta a história de outra pessoa. Note que os fatos serem verdade ou não não importa; e sim se o autor acredita ou não na veracidade dos fatos. Uma biografia pode incluir acontecimentos de natureza difíceis de serem confirmadas, como abduções alienígenas.
Bio-Punk. É um subgênero da ficção científica. Classificado pela temática da biotecnologia. Seus personagens se alteram geneticamente, de forma proposital, melhorando suas capacidades, fisionomia, etc. O filme, Gattaca é um exemplo do gênero bio-punk direcionado ao cinema.

Brutalismo. Podendo ser tanto ficção quanto não-ficção, o autor é brutalista quando não se inibe em descrever atos brutais em detalhes, chocando os leitores. Histórias ficcionais brutalistas geralmente são inspiradas nos subúrbios das grandes cidades, gangues violentas, etc.
O escritor Rubem Fonseca estreou esse gênero no Brasil, tendo o termo "Brutalismo" sido criado por Alfredo Bosi. Dentre as obras brutalistas de Rubens Fonseca podemos destacar "O Contador", de 1979. Mais recentemente a obra "O Matador", 1995, de Patrícia Mello também é classificada com brutalismo.

Chic-lit. É um subgênero do romance, destinado ao público feminino que se encaixa no estereótipo "mulherzinha". Protagonizado por uma mulher, muitas vezes "patricinha", e geralmente inserida em um cenário moderno, com liberdade feminina; tende a se basear no modo como esse tipo de mulher idealiza a realidade: consumismo, sexo, diversão, namoradinhos, ex-maridos... isso indica a sua classificação como um subgênero do romance. Os cenários são shoppings, bares, o local de trabalho, dificilmente escapando do cenário urbano. Pode conter elementos de drama ao mostrar a luta da protagonista em conciliar a carreira com seu estilo de vida. As autoras são, praticamente, todas do gênero feminino.

Comédia. Um dos gêneros literário mais antigos, é escrito com a intenção de provocar risos. Seus personagens são bobos, irônicos ou atrapalhados.

Cômico-Fantástico. Simplesmente é uma comédia dentro de um universo de fantasia, ou uma comédia com o elementos de realismo fantástico. O já citado "Memórias Póstumas de Brás Cubas" é um exemplo de comédia fantástica, ou cômico-fantástico, misturado também ao horror e carregado da ironia típica de seu genial autor, Machado de Assis.

Conto. É uma classificação sintáxica. Um conto é uma história ficcional de curta extensão. Assim, um conto se desenvolve de forma mais direta, descrevendo um único evento e buscando ter um final imprevisível.

Conto-de-Fadas. São contos de fantasia destinados ao público infantil. Para escrever um conto de fadas, sempre coloque elementos de fantasia infantil, como fadas, animais falantes, papai-noel, etc; não se esqueça de caracterizar os personagens fantasiosos dentro do imaginário infantil. Caso contrário, seria um conto de fantasia. Por exemplo, fadas de contos de fadas não são seres espirituais, mas moças com vestidos bonitos que podem ser pequenas e possuir asas. Anões de contos de fadas não são beberrões carrancudos, como em "O Hobbit", mas pequenos velhinhos barbudos e cômicos. E assim por diante.

Crônica. Podendo ocorrer tanto na literatura quanto no jornalismo, uma crônica é um relato de um acontecimento que pode ser ficcional ou até mesmo o cotidiano de uma pessoa famosa. Também é o gênero utilizado pelos historiadores. A crônica caracteriza-se por possuir um eixo temático, mesmo ficcional, em torno da política, sociedade ou cultura. Em uma obra de ficção, uma crônica busca criar uma cultura e contar a sua história, mitologia e política. As obras de Platão "Timeu e a Natureza" e "Crítias ou Atlântida", são os exemplo mais antigo de crônica, onde Platão descreve a ilha de Atlântida, seus residentes, sua história, sua tecnologia, etc.

Diesel-Punk. Outro subgênero "punk" de ficção científica; agrupado por muito estudiosos como cyberpunk. Este tematizado em transportes, usualmente carros, e geringonças movidas a combustível; tendo a gasolina, ou diesel, como muito importante ou mesmo o centro dos interesses dos personagens. Podendo se passar tanto no passado quanto no futuro, mas com teor tecnológico, normalmente exagerado. "Mad Max" é um típico diesel-punk, não raro considerado um ícone do gênero.

Drama. Uma ficção séria. Não é cômica, nem fantasiosa, nem romântica (idealizada) nem assustadora. A intenção é contar uma história que pode ocorrer com as pessoas frequentemente mas que nunca ninguém imaginou o quanto poderia ser emocionante. Muitas vezes existe uma trajetória de sofrimentos e superação no protagonista.

Écloga. São poemas curtos que apresentam diálogos entre duas pessoas, ou mesmo um monólogo. Écoglas são geralmente protagonizados por camponeses.

Elegia. Poesia fúnebre. De tom melancólico e pesaroso. Pode ser ficcional ou relacionado a morte recente de uma pessoa real.

Ensaio. É um texto subjetivo sobre qualquer tema. Quando você comenta o que pensa sobre o que leu em um site ou blog, está usando o gênero literário ensaio. Um bom ensaio é argumentativo e usa arte da persuasão. Um livro também pode ser escrito e comercializado como um ensaio. Francis Bacon, ainda em 1597, na Inglaterra, se tornou pioneiro no gênero.

Épico. Escrito em foram de poema ou prosa, um épico descreve um evento grandioso, cheio de heroísmo, e trazendo profundas mudanças no universo da história. "O Senhor dos Anéis" de Tolkien é um belo exemplo de um épico. Na mitologia, temos os eddas em prosa do povo nórdico. Narrações de pessoas reais e seus feitos também pode ser considerado um épico.

Epístola. Quando você escreve uma carta para um amigo ou parente, você está usando esse gênero literário. Os livros bíblicos escritos pelo apóstolos Paulo, Pedro, João e Judas também são epístolas. Um conto ficcional em forma de carta também pode ser classificado como epístola.
Epopéia. Um subgênero de Épico;  é a narração em forma de versos, de um evento histórico, mas que possui pouca fidelidade, considerado lendas. É o gênero literário das mitologias, como a Epopéia de Gilgamesh, e "Ilíadas"; bem como os eddas em verso da civilização nórdica.

Erotismo. É um subgênero do realismo cuja narração descreve as aventuras sexuais do personagem. Um livro erótico não pula a parte em que o personagem se deita com seu amante ou sua amante, mas descreve o ato. Se o ato for muito explícito, alguns classificam como literatura pornográfica. Safos de Lesbos foi uma genial poetisa de erotismo que possuía um "eu" lírico masculino, o que leva muitos a questionarem sobre sua orientação sexual. "Sex in the City", de Candace Bushnell, é um exemplo de literatura erótica moderna.

Fábula. São histórias com zoomorfismo, animais falando e caminhando com seres humanos, ou animismo, objetos falantes. Muito comuns nos chamados "contos de fada", mas também presentes em romances como "O Pequeno Príncipe". Desenhos animados, como o Pernalonga e Pica-Pau, também são fábulas.

Fantasia. O gênero preferido de muitos. Se passa em um mudo imaginário, onde o autor não tenta explicar como esse mundo seria possível; pois se tentasse, seria ficção científica. Florestas com plantas exóticas, cogumelos gigantes, bestas, raças humanoides inteligentes, em guerra ou em paz. Não raro inspirados na mitologia.

Fantasia Científica. Quando o universo da história ainda está longe do cientificamente concebível, mas há tentativas do autor de explicá-la com alguma ciência. Por exemplo, se em um mundo de fantasia, a noite é regida por duas luas, se insinua que esse mundo é um outro planeta de outro sistema solar; sendo assim Fantasia Científica.

Fan-fic. São histórias criadas com personagens de outras obras, por fãs. Muito comuns no gênero Super-herói. Dificilmente comercializado, devido aos personagens possuírem direito autorais.

Farsa. Um subgênero da comédia que intui provocar risos por exagerar comportamentos da vida cotidiana. É comum em uma farsa, os personagens serem apresentados por estereótipos ao invés de nomes: O médico, o advogado, o marido, a mulher, etc

Ficção. Narrado em forma de prosa, é uma história que não aconteceu realmente; mas pode ser baseado em fatos reais. Normalmente subdividido em Horror, Romance, Comédia, Drama, Policial, Fantasia e Ficção científica.

Ficção Científica. Uma ficção que tem a ciência como temática. Extraterrestres, Viagens no tempo e experimentos genéticos são os temas mais comuns da ficção científica. Para uma ficção ser caracterizada como científica, deve haver teorias científicas, existentes ou não, que expliquem os elementos da história. Embora, o tempo futuro seja um recurso muito utilizado na ficção científica, uma história de ficção científica pode ser passar também no presente ou mesmo no passado.

Ficção Feminista. Trata-se de uma ficção que tenta imaginar como seria se o movimento feminista dominasse o mundo. Homens dizimados e tratados como escravos, comunismo feminista, aborto indiscriminado, lesbianismo generalizado, reprodução artificial... todos os temas do feminismo radical idealizado em uma história de ficção. "As exterminadoras" de Edmond Cooper, é um dos exemplos de maior sucesso nesse gênero.

Ficção Histórica. Pense no oposto da ficção científica. Uma história que se passa em tempos históricos. Cavalos em vez de naves, espadas em vez de lasers, superstições e lendas em invés de ciência. Se a ficção tem esses elementos mas se passa em outro planeta, temos uma história híbrida, Ficção Científica Histórica, frequentemente apelidada de "Espada e Planeta".

Ficção Sobrevivencialista. Conta a história de alguém que foi parar em uma região inóspita e vai, aos poucos, aprendendo a sobreviver. Robinson Crusoé é um exemplo clássico desse gênero. O filme "O Náufrago" é um famoso correspondeste cinematográfico do gênero.

Fofoca. Embora seja uma crônica sobre algum evento ocorrido na vida de alguém, quando a fofoca é profissionalizada, como acontece com o Leão Lobo e Nelson Rubens, é claro ser um gênero literário. Um bom fofoqueiro ironiza sua vítima, e escolhe palavras com o intuito de debochar de sua vítima. Por exemplo:
Não-fofoca. A atriz Sicrana Beltrana quebra o salto de seu scarpin quando se dirigia para o estúdio, se desequilibra, bate o rosto na guia da calçada, fere-se e começa a sangrar pelo nariz. O diretor se vê obrigado a gravar a cena co atriz usando um discreto algodão no nariz; isso pode ser notado quando prestamos atenção a cena. Embora possamos notar uma leve alteração na voz de Sicrana Beltrana, causado pelo algodão obstruindo seu nariz, tudo correu bem.

Fofoca. A atriz Sicrana Beltrana caiu do saaalltô. Isso mesmo! Ela tropica e quebra a cara no chão, no meio da rua... ahahahah! Não, e o pior foi ela ter que gravar a cena com aquele algodãozão no nariz... kkkk. Tem mais, ainda fez a cena com a voz fanha parecendo um trompete desafinado. Mas eu gosto dessa atriz, ela é legal!


Percebam que há toda uma mudança estilística entre simplesmente contar um fato e fazer uma fofoca. Por possuir uma técnica escrita própria; a fofoca também é um gênero literário.

Gauchesco. Poesia onde se usa o vocabulário do gaúcho, bem como seu folclore e cotidiano. Poetas geralmente argentinos ou uruguaios. "Martín Fierro" é a obra mais aclamada desse gênero.

Gazel. É uma forma poética árabe composta por, no máximo, 15 versos escritos com um par de frases. Todas as segundas frases de cada versos rimam entre si. O primeiro par também deve rimar entre si. Gazel significa "galanteio" em árabe, assim, seu conteúdo é sempre romântico, muitas vezes com um teor místico. O famoso escritor alemão Goethe introduziu o gazel fora do oriente médio. No Brasil, o poeta Manuel Bandeira, compôs um Gazel em homenagem a Hafiz:

Gazal em louvor de Hafiz

Escuta o gazal que fiz,
darling, em louvor de Hafiz:

- Poeta de Chirza, teu verso
tuas mágoas e as minhas diz.

Pois no mistério do mundo
também me sinto infeliz.

Falaste: "Amarei constante
aquela que não me quis".

E as filhas de Samarcanda,
cameleiros e sufis

Ainda repetem os cantos
em que choras e sorris.

As bem-amadas ingratas
são pó; tu vives, Hafiz! 

Grotesco. A palavra grotesco é derivada de gruta, caverna. Em ficção, o gênero grotesco, relacionado ao horror, conta a história de uma personagem que vive isolada por ser monstruosa ou que se tornou um monstro por viver isolada. A personagem grotesca tende a causar tanto repulsa quanto pena e pode ter um lado sombrio e um lado gentil. Grandes clássicos da literatura são do gênero grotesco: O Fantasma da Ópera, O Corcunda de Notre Dame, o conto-de-fadas A Bela e a Fera, Frankenstein, entre outros. A personagem Sméagol, da obra de Tolkien, é grotesca, embora a obra seja classificada como Fantasia, no geral.

Haicai. Formato poético japonês composto de apenas um verso co três frases. Os temas também são banais e cotidianos, muitas vezes sobre a natureza. A segunda frase é sempre maior.
No Brasil alguns poetas, como Guilherme de Almeida, usaram esse formato. Veja alguns exemplo de haicai composto por Guilherme de Almeida:

 A insônia                                                                   O Poeta

Furo a terro fria.                                                       Caçador de estrelas. 
No fundo, em baixo do mundo,                                Chorou: seu olhar voltou 
trabalha-se: é dia.                                                      com tantas! Vem vê-las!

Nós dois                                                                       Meio-dia

Chão humilde. Então,                                                Sombras redondinhas
 riscou-o a sombra de um voo.                                  Soldados de pau fincados 
"Sou céu!" disse o chão.                                            sobre rodelinhas.

História Alternativa. Uma ficção que cria um ponto de divergência em algum evento histórico real e especula como seria o presente se a história tivesse acontecido diferente. O autor de História Alternativa sempre  pergunta, "E se tal evento histórico tivesse acontecido diferente?" e começa a escrever sua história especulativa. Uma pergunta icônica oriunda desse gênero é "E se Hitler tivesse vencido a Segunda Guerra Mundial?".

Horror. Uma classificação lírica, é uma ficção criada com o objetivo de causar medo, pânico e ansiedade. Podendo haver monstros ou não, e o sobrenatural, ou não. Se contarmos com as histórias folclóricas das antigas civilizações, o gênero horror é mais antigo que a ficção. É só nos lembrarmos das Górgonas dos gregos, por exemplo.
Drácula, de Bram Stoker é considerado a primeira ficção de horror.
Horror Cósmico. Um subgênero de horror iniciado e popularizado pelo escritor H. P. Lovecraft. Em uma história de Horror Cósmico, a vida humana é desprezível e indesejada seja por outras entidades no universo, seja pelo próprio universo. Se há monstros, são extremamente poderosos e usam o ser humano como gado, mesmo para alimentação; ou o usam como como bicho de estimação ridículo para o entretenimento deles. Se não há monstros, o próprio cosmos conspira para a destruição da humanidade, com o intuito de renovação.

Horror Gótico. Um horror ambientado em castelos, igrejas e florestas sombrias. Havendo também o elemento romântico do sentimento idealizado. As personagens são melodramáticas e sentimentais. O típico vilão de capa e bengala, e quase sempre age por amor pela donzela que vitimiza com seu desejo de possuí-la. O uso do sobrenatural é permitido e geralmente aparece na figura do vampiro. Basicamente, é a mistura entre romance e terror.

Horror Psicológico. Forma de terror que usa o cenário e a própria trama para gerar uma sensação de desconforto e desesperança.
A presença do sobrenatural é opcional e, se houver, o monstro não estará explícito e seu aspecto violento não será muito explorado. O antagonista, sobrenatural ou não, não se expõe facilmente e age de forma minimalista para causar grande dano físico e emocional nos protagonistas. Basicamente, é um horror que foge da apelação conseguindo causar o mesmo nível de medo, buscando até mais, que o horror convencional.
Um recurso muito comum no horror psicológico é a criação de um protagonista vulnerável, uma pessoa sem habilidade especial, frágil, por vezes mulher, criança ou deficiente.
Um horror psicológico pode estar totalmente encaixado no gênero realismo, sem nenhum acontecimento fora do cotidiano, mas o autor assusta apenas com as palavras usadas para descrever a história, mudando o modo de encararmos o cotidiano e nos mostrando que o próprio sistema em que vivemos pode ser muito assustador.
Os temas explorados comumente no horror psicológico também diferem do horror convencional: a loucura, o maquiavélico, o surreal...

Humor Negro. Abusando da ironia e sarcasmo, o humor negro busca extrair situações cômicas de temas mórbidos, trágicos, nojentos e preconceituosos.

Manifesto. É um texto dissertativo que visa expor um problema e sugerir uma solução. É comum em um manifesto a convocação de uma comunidade para realizar uma ação em conjunto.

Mecha. É um subgênero da ficção científica que conta a história de um robô gigante, por vezes controlado por um ser inteligente por dentro ou por controle remoto. Ou mesmo um robô gigante autômato.
Metaficção. É uma ficção onde a mensagem que o autor quer transmitir é relacionada ao próprio processo da escrita. Assim, o autor não se importa que o leitor se lembre que a história é ficcional enquanto lê. Ele quer mostrar o quão interessante é a proposta literária do livro. É como se o escritor dissesse: "Olha que interessante se eu crio uma história que é assim e não assado?". Por exemplo, em Dom Quixote, o autor, Cervantes, quis criar uma história onde o protagonista não possui habilidade para ser um herói mas busca ser um igual aos heróis dos livros que lia. É como se Cervantes dissesse "Olha que interessante se eu crio uma ficção onde o protagonista comum tenta ser um herói em um cenário de pura realidade." Enfim, é uma ficção que não tenta ser real para o leitor, porque o autor intencionou passar uma mensagem sobre a literatura em si.

Microconto. É um conto composto de uma única frase. Contar uma história com uma única linha tem sido uma espécie de desafio entre os grandes escritores. A ideia é usar o mínimo de palavras possível e com elas apresentar todo um contexto que forma da mente do leitor uma história completa.

Vende-se um par de sapatos de bebê. Nunca usados. - Ernest Hemingway
Quando acordou o dinossauro ainda estava lá.- Augusto Moterroso
Eu ainda faço café para dois. - Zak Nelson

Mitopoeia. A mitologia das antigas civilizações não são ficção porque seus autores realmente acreditavam nas histórias. Mas quando um escritor cria uma história ficcional com o elementos e personagens de alguma mitologia, esta se torna um subgênero da fantasia ou ficção científica. É necessário ter elementos fiéis a mitologia e não apenas inspirados para se enquadrar nesse subgênero.

Multiverso. Uma ficção científica que gira em torno de universos paralelos; ou seja, versões muito ou ligeiramente diferentes do nosso universo.

Mundo Perdido. Gênero de ficção ligado a fantasia e ao realismo fantástico cuja a história permeia a descoberta de um novo mundo, fora de seu tempo. Dinossauros são frequentemente os antagonistas desse tipo de história. As Minas do Rei Salomão, de Henry Rider Haggard, é considerada a primeira ficção do gênero. "O Mundo Perdido" de Conan Doyle, provavelmente batizou o gênero.

Novela. Uma ficção que é mais longa que um conto mas mais curta que um romance. Um livro de novela tem um pouco mais ou um pouco menos que cem páginas apenas; enquanto um romance pode passar de trezentas páginas.

Ode. Uma forma poética composta de três partes distintas: Um estrofe, um antíestrofe e um épodo.  O estrofe é a parte temática da poesia, o antíestrofe, que era uma variação da estrofe e o épodo, uma parte final, muitas vezes formada por dois versos deiguais. Um ode geralmente exaltava algo sublime, digno de louvor.

Ópera-Espacial. Uma forma de ficção científica e fantasia, com tendência ao romantismo, apresentado em três partes, com em uma ópera. Sempre se passa em algum lugar no espaço; onde o protagonista geralmente realiza uma aventura por vários planetas exóticos de ecologia exótica. Sem dúvida, o melhor exemplo de uma ópera espacial é antiga trilogia Star Wars.

Paródia. É quando se faz uma releitura cômica de uma obra literária, uma personalidade, uma personagem ou de um evento histórico.

Poesia. Uma sintaxe de literatura comporta por versos. Muitos estudiosos concordam que proveio da música e pode ser anterior à própria escrita. Geralmente, mas não obrigatória, uma poesia possui rima em seus versos.

Policial. Também chamada de "Detetive", é uma ficção que conta a história de um investigador tentando solucionar um crime. O investigador não precisa ser oficialmente um policial e nem o crime oficialmente contra  a lei.

Prosa. Simplesmente, uma narração. É um texto qualquer composto em parágrafos. Provém de uma raiz em latim que significa "discurso direto", "em linha reta."

Realismo. É um gênero literário que, diferente do romantismo, se ambienta no mundo como ele realmente é, sem as idealizações do romance. Muitas vezes denunciando costumes da época do escritor, como a escravidão. Histórias de amor no realismo podem terminar em separação ou mesmo na permanência do casal enfrentando os problemas reais de um relacionamento, sem príncipes ou princesas.

Realismo Fantástico. É uma ficção que acrescenta elementos fantásticos dentro de um mundo realista, não raro refletindo a realidade do escritor.

Romance. Pode se referir a dois gêneros distintos: Como uma contraparte do realismo, o romantismo valoriza o mundo idealizado pelo leitores; estando aí o porque de, não raro, um romance ser sobre amor. Mas também pode se referir ao comprimento de uma prosa, mesmo não pertencente ao movimento romantismo; são as ficções mais longas, podendo chegar a várias centenas de páginas.

Receita. Queira ou não, aquele calhamaço todo garranchado que a sua mãe guarda na gaveta da cozinha é um gênero literário. Trata-se de um texto do tipo passo a passo. Se você vai em uma livraria você pode comprar um livro... de receita. Portanto é gênero literário e tem escritores especializados no gênero; normalmente cozinheiros, é claro.

Sátira. Uma forma literária que ridiculariza organizações, pessoas, governos, costumes, etc. Usando muito sarcasmo e ironia.
Steampunk. Uma subgênero da ficção científica que se caracteriza por se passar em um ambiente altamente tecnológico retrô. Geralmente se passa em um tempo passado, tendendo ao velho oeste, onde os paradigmas tecnológico ocorreram mais cedo. A tecnologia a vapor é a temática que dá origem ao nome.

Sick-lit. É um drama que retrata uma personagem enferma, realmente falando, e como ela tenta conviver com problema. Pode ser uma doença física ou não, terminal ou não, crônica ou não... o tom é sempre melancólico. Como o grupo de gêneros "lit" é voltado para os jovens.

Super-Herói. Uma ficção ligada a fantasia ou científica onde o protagonista tem habilidades excepcionais, quase sempre poderes improváveis e combate o mal, preferencialmente fantasiado. A característica mais marcante em uma boa história de super-heróis é o "arco do herói", que é quando o herói aprende a controlar seus poderes e ganha habilidade, se questionando sobre o princípios éticos referentes ao uso do seus poderes. Após o arco do herói, e personagem se define como herói ou pode até trocar de lado e ir para o lado do mal, ou mesmo ficar divido entre o bem e o mal, se tornando um anti-herói.

Suspense. Veja Thriller.

Terror. Veja Horror.

Thriller. É um gênero lírico que intencionada gerar ansiedade e suspense no leitor e difere do terror por esse motivo. São os famosos suspenses.

Thriller Jurídico. Uma ficção que é ambientada em um tribunal, onde se investiga a culpa ou não do réu. Seus finais tendem a ser inesperados, onde o advogado apresenta uma nova prova e argumenta sem irrefutavelmente. 

Trash. Um gênero de horror que apela, conscientemente ou não, em extremo, a clichês do horror. Significa "lixo" em inglês. São ficções de horror pessimamente escritos e autores que imitam essas ficções, por sátira ou saudosismo. Primariamente, e um gênero de cinema, nesse caso, de baixo orçamento e com efeitos pobres, mas a classificação de um livro no  gênero "trash" não é impossível.

Tragédia. É um drama sério que se caracteriza por um clímax chocantemente trágico.

Tragicomédia. Uma fusão literária entre tragédia e comédia. "Alceste" é uma tragicomédia da antiga Grécia.

Travelogue. Uma ficção ou não-ficção que conta a história de uma grande viajem, muitas vezes, cheia de aventuras.

Viagem no Tempo. É uma ficção científica que lida com a viagem no tempo e seus paradoxos temporais.

Wuxia. Uma ficção cuja temática são artes marciais em ambientes medievais orientais. A fantasia é permitida e se manifesta como demônios, bestas da mitologia oriental, dragões, guerreiros com habilidades marciais improváveis, correr sobre a água, a força chi, etc. Muito popular no cinema chinês.

Espero que esse  glossário ajude vocês de alguma forma, porque me ajudou bastante. Sobre os posts que pretendo fazer abordando gêneros, não vou falar sobre todos os dessa lista, ao menos não em um primeiro momento. E aqui não tem distopia, e acredito que vai ser o primeiro gênero que vou abordar com vocês, visto que eu simplesmente adoro distopias.
Qual gênero vocês querem ver aqui primeiro? Deixe nos comentários, sempre  levo a opinião de vocês em conta. Um beijo grande e até a próxima.

2 comentários:

  1. Oi
    Eu gostei do projeto
    Realmemte existem muitos generos e subgeneros que a cada dia descobrimos um diferente.Eu mesmo não me lembro de ter ouvido falar se alguns citados.

    Beijos

    Meu mundinho quase perfeito

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Menina, eu vou ralar muito pra esse projeto. São muitos gêneros, sub-gêneros, e quase sempre um livro tem mais de um gênero, mas sempre tem um principal.
      Beijos

      Excluir

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