03 dezembro 2016

Entrevistando o autor - Hugo Ribas

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Fazia tempo que não tinha nenhuma entrevista por aqui, mas estamos voltando com força total e isso quer dizer entrevistas, resenhas e muito mais. Aproveitem essa conversa bem legal que tive a chance de ter com o Hugo, autor de Confesse-me.

VPB- Primeiro gostaria de agradecer por ter se disponibilizado para responder a essas perguntas. Vou começar com a pergunta enviada por uma leitora do blog. Qual foi a maior dificuldade que você encontrou para se tornar um escritor? 
HR- Eu é que agradeço o apoio que sempre me deu!!! Para mim, a maior dificuldade foi superar a ideia de que eu não era bom o suficiente para escrever. Sou muito exigente comigo mesmo e creio que esse perfeccionismo foi o meu maior inimigo... Achava que não era capaz... Então antes de enfrentar qualquer desafio externo, eu tive que enfrentar uma dificuldade interna. Tive que aprender a valorizar o meu texto e a minha arte, mesmo que o mundo inteiro me diga que o que escrevo não tem qualidade alguma. Graças a Deus isso não ocorreu. Tirando essa dificuldade muito particular, creio que escrever e encontrar uma editora não seja tão complicado... Temos editoras para todos os estilos e que trabalham de diversas formas para viabilizar a publicação... Sem falar nas plataformas digitais. Para mim, a maior dificuldade externa, é ser lido. Como é que o público vai ler o meu livro se ninguém sabe que existo? Então é um trabalho árduo e constante de auto-promoção e busca por apoios. 

VPB- De onde veio a ideia para escrever Confesse-me e o porquê desse título? 
HR- Confesse-me nasceu sem planejamento algum. Criei um narrador mal humorado e comecei a escrever algumas crônicas, pois estava passando por uma fase complicada na vida. Passei a dividir esses textos com uma amiga e sem que percebêssemos elas se tornaram um livro que retratava os conflitos internos de um cara que almejava realizar um sonho, mas se deixava oprimir pelos padrões da sociedade e também pelos preconceitos dele próprio. No fundo, Hector é um personagem cheio de preconceitos e infeliz porque não teve obstinação o suficiente para lutar pelos sonhos... Acaba culpando os que estão ao seu redor. Enfim, quando uni todas essas crônicas e as transformei em livro, resolvi procurar uma editora. Escolhi este nome para o meu livro, porque Hector confessa ao leitor os seus sentimentos mais sombrios, sem medo e sem a preocupação de ser politicamente correto. Muitos dos sentimentos que ele revela e confessa estão dentro de todos nós, afinal somos humanos, mas na maioria das vezes temos medo de assumir ou nem sequer enxergamos tais características. 

VPB- Na história, quanto temos do Hugo no personagem principal? 
HR- Eu diria que cinquenta por cento do Hugo. Muitas das situações vividas por ele aconteceram comigo, outras foram inventadas. Porém, estou longe de ser uma criatura mal humorada. Enxergo a vida como algo bom, sou otimista, adoro meus amigos, gosto de dar risada e ser feliz... Em termos de personalidade não temos nada em comum. E creio que o mais interessante durante a escrita foi exatamente isso, inventar uma outra pessoa enfrentando o mesmo conflito que eu enfrentava, mas enxergando tal situação por um ângulo completamente diferente e pessimista, embora eu tenha me esforçado para que o final trouxesse uma mensagem positiva e de incentivo... Não sei se consegui cumprir esse papel. 

VPB- Os livros que o personagem escrever ao longo de Confesse-me serão escritos pelo Hugo? 
HR- Sim. A Profeta Clara foi uma invenção de Hector... Resolvi escrevê-la em homenagem a ele. Chama-se "Clarividente: Da glória à ruína de uma profeta". Trata-se de uma fantasia completa e creio que seja a única vez que eu tenha escrito fantasia... Embora seja um estilo que eu goste de ler, não me empolgo em escrevê-lo. Resolvi disponibilizá-lo apenas na Amazon, em formato digital, para os leitores que ficarem curiosos. Não pretendo publicá-lo em formato impresso, enfim. Já o Benjamin foi uma invenção minha, de fato. É uma ideia que há muito tempo povoa a minha mente e que já está totalmente escrita... Pretendo publicá-lo, mas ainda não sei quando isso acontecerá. É um drama... Bastante denso. 

VPB- Hector enfrenta muitas dificuldades quando decide abandonar seu emprego convencional para se dedicar somente à escrita. Você tem algum trabalho convencional ou hoje consegue se dedicar exclusivamente à escrita? 
HR- Eu me dedico exclusivamente à escrita. 

VPB- Confesse-me é um livro de rápida leitura, eu pude finalizá-lo em apenas algumas horas. Você tem planos de escrever livros mais longos ou prefere os romances mais curtos? 
HR- Sou imediatista. Esta é uma dificuldade minha que aos poucos estou vencendo. Gosto dos livros curtos. "Clarividente" é um pouco maior que "Confesse-me". Pelos meus cálculos, Benjamin será o dobro... Mas creio que será muito difícil eu escrever livros excessivamente longos. 

VPB- Como e quando você percebeu que o que gostaria de fazer é escrever? 
HR- Quando criança. Sempre gostei de inventar histórias e personagens. Mas não dei ouvidos a essa vontade durante muitos anos. Guardava comigo como um sonho impossível. 

VPB- Na obra, as personagens criadas por Hector interagem com ele, contando sua história e ele precisa apenas escrever. Com você acontece algo parecido? 
HR- Não. Embora meus personagens estejam sempre na minha cabeça, revivendo suas histórias e traçando novos caminhos... Eu não chego a interagir com eles, hahaha. Ainda conservo um resquício de sanidade. Aquela foi uma maneira que encontrei para ilustrar o sofrimento de Hector... A vontade e o desejo explosivo de escrever, mas se vendo acorrentado por uma rotina que o impedia de realizar o desejo. 

VPB- Qual foi sua sensação ao pegar seu livro publicado em mãos? 
HR- A sensação de: A vida valeu a pena. 

VPB- A seu ver, qual a maior dificuldade de um autor brasileiro nos dias de hoje? 
HR- Como eu falei na outra pergunta, a dificuldade maior é ser lido. Embora haja uma grande quantidade de apaixonados por leitura... Não há no Brasil a cultura de ler. Existem muitas críticas à valorização e à comercialização dos autores estrangeiros, críticas às grandes editoras, às pequenas editoras que cobram, aos agentes literários etc etc etc... Acho todas válidas. Mas para mim, a maior dificuldade é essa: Interesse dos brasileiros em ler. 

Jogo rápido 


Doce ou salgado? 
Doce quando estou triste, salgado quando estou feliz. 

Dinheiro ou satisfação pessoal? 
Satisfação pessoal. 

Família ou amigos? 
Família são amigos. Amigos são família. 

Dia ou noite? 
Madrugada. 

CD ou vinil? 
CD 

Fantasia ou realidade? 
Realidade... Com um toque de fantasia. 

Filme ou série? 
Filme. 

Quem é o Hugo Ribas? 
Alguém que todos os dias descobre novas facetas de si mesmo.

Clique aqui para ler a resenha de Confesse-me. É um livro bem fácil de ser lido e o Hugo é um excelente autor. Vale muito a pena darem a ele um espaço na sua estante. Um grande beijo e até a próxima. Lary Zorzenone.

4 comentários:

  1. Oiii Lary! Tô bem por fora dos autores nacionais, logo não conhecia o autor e nem o livro :c ele parece ser bem gente boa, como também a história XD maior desafio de ser autor nacional é publicar e feliz que isso esteja melhorando sz

    bjs, Carol | Espilotríssimo
    http://carolespilotro.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi Carol
      Acompanhe o blog aqui e sempre vai ter noticias de autores nacionais incríveis.
      Beijos

      Excluir
  2. eu sou bastante fã do Hugo, uma pessoa iluminada, bela e que manda bem em sua escrita inspiradora e intensa, eu o admiro

    ResponderExcluir

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